“Ter poder no Brasil não é fazer, é impedir que alguém faça”

11898666_872400349473693_8821310898355268507_n

Gilberto Dimenstein em foto publicada em sua página no Facebook. Ao inaugurar a escada, ele escreveu: “Coisas que me fazem criar asas”

 

Em seu aniversário de 59 anos, Gilberto Dimenstein se deu de presente a limpeza e a pintura de uma escadaria da Vila Madalena que andava abandonada, suja, malcheirosa. A reforma do espaço provocou protestos em moradores de um prédio vizinho, incomodados com as reuniões de gente ao pé da escada que começaram a acontecer por ali. Foi preciso muita paciência e muita conversa para acalmar os ânimos. “O pessoal do prédio tinha medo”, diz Dimenstein. “Medo de gente, de bagunça. Tentaram impedir o projeto de ir adiante, mas no fim tudo deu certo.”

Essa pequena grande história ilustra bem o momento brasileiro – e o caminho para a saída dele, seja ela qual for. Temos medo. Temos pessimismo. Temos razão para nos sentirmos assim. Mas não vamos a lugar nenhum enquanto não houver diálogo, em várias instâncias.

Continue lendo

“Quem não consegue conviver com as diferenças não é democrático”

ale_porjorgebispo.jpg

Alê Youssef em clique do fotógrafo Jorge Bispo

Em seus 41 anos, Alexandre Youssef tem entrelaçado sua vida e seu pensamento à vida de uma cidade: São Paulo, onde nasceu. Alê foi coordenador de Juventude da Prefeitura de São Paulo (2001/2004), criou e dirigiu a casa de shows Studio SP (2005/2013) e em 2009 fundou com amigos o Bloco carnavalesco Acadêmicos do Baixo Augusta, o maior da cidade. Hoje apresentador do programa Navegador, da Globonews, comentarista e colaborador do Esquenta, da Rede Globo, e colunista político da revista Trip, ele se divide entre São Paulo e Rio, onde também cursa um mestrado na UFRJ que pretende analisar iniciativas inovadoras de modos de fazer política no mundo. Todas as atuações desse realizador (produtor cultural, empresário, apresentador, colunista) têm em comum uma espécie de “veia cidadã”, uma preocupação política. “Mesmo que você tente se manter à margem da política, estará nela. A vida em sociedade é pura política”, diz Alê, que defende uma maior participação das pessoas na vida partidária como forma de garantir um melhor futuro para o país. Na entrevista a seguir, debatemos o fla-flu de opiniões que marca esse momento da história do Brasil:

Continue lendo

B de Brasil, b de burrice

Recomendamos o texto de Eliane Brum (indispensável) sobre o fato de nós, brasileiros, termos “atingido a burrice máxima”. Essa ideia é retratada a partir do episódio dos ataques à figura de Simone de Beauvoir deflagrados depois da inclusão de uma célebre frase da intelectual francesa – “Não se nasce mulher, torna-se mulher” – como tema da redação do ENEM deste ano. Eliane fala do tema citando o necessário livro da filósofa Marcia Tiburi, Como Conversar com um Fascista:

“Compreender o confronto atual como um confronto entre direita e esquerda, desenvolvimentistas e ecologistas, governistas e oposicionistas, machistas e feministas é, segundo Marcia Tiburi, uma redução. O confronto atual seria mais profundo e também mais dramático: entre os que pensam e os que não pensam.”

Simone de Beauvoir foi tachada de

Simone de Beauvoir foi tachada de “baranga” por um político brasileiro inconformado com o feminismo como tema da redação do ENEM

Empoderar para quê?

Empoderar é uma das palavras da moda. A rigor, ela nem existe no vocabulário brasileiro. É uma apropriação livre de emporwement, do inglês, que segundo o dicionário Oxford significa “tornar alguém mais forte e mais confidente, especialmente no controle da própria vida e na reivindicação de seus direitos”. Neste sentido, empoderar faz todo o sentido: temos mais acesso à informação, temos mais poder de escolha e consequentemente, temos mais autonomia para tomar decisões.

Provocados pela popularização do termo, o Studio Ideias, por meio de um questionário online, fez uma enquete com uma enquete com 1.517 internautas, de 20 a 54 anos, pelo Brasil. O objetivo: entender o que as pessoas entendem por poder, quando se sentem empoderadas, quando se sentem impotentes, sobre quem exercem poder e quem exerce poder sobre elas. 

INFO_1

As respostas estão reunidas no gráfico acima e confirmam o que os embates – e muitas vezes agressões físicas – nas ruas, nas redes sociais, nos palanques digitais vem deixando claro: sofremos uma crise de alteridade. Para grande parte das pessoas, “ter poder” significa conseguir fazer tudo o que se quer ou passa pela eliminação do outro. Fica clara a nossa dificuldade, como sociedade, de propiciar um convívio sadio entre as diferenças.

Entender o que há por trás disso – e como “sair dessa” – é o que queremos fazer, propondo um livre debate neste blog.

E aí, o que você pensa sobre isto?

“A política virou showbusiness para pessoas feias”

Facundo Guerra e o centro de São Paulo, lugar que conferiu identidade brasileira a esse argentino radicado no Brasil desde os 4 anos. Foto: Felipe Morozini

Facundo Guerra e o centro de São Paulo, lugar que conferiu identidade brasileira a esse argentino radicado no Brasil desde os 4 anos. Foto: Felipe Morozini

Ele é doutor em ciências políticas, mas não vota – pela razão expressa no título acima. É elogiado por instalar casas noturnas de sucesso em prédios que muita gente considerava abandonados, mas se recusa ao papel de benfeitor da cidade. Facundo Guerra, o conhecido empresário da noite paulistana (Vegas, Riviera, Cine Jóia, Lions, a lista é longa) é um cara que pensa, pensa, pensa, pensa muito. E como todo bom pensador, entra em discordância consigo mesmo e com os interlocutores (afinal, pensar é percurso, não é linha de chegada). Foram quase duas horas de uma conversa cheia de perguntas e frases corajosas por seu potencial de polêmica. Prova de que o papo foi bom! A seguir, os melhores momentos.

Continue lendo

Miss Empatia

Julia, nova personagem do Vila Sesamo e Miss Empatia

Julia, nova personagem do Vila Sesamo e Miss Empatia

Esta é Julia, uma menina que “faz as coisas um pouquinho diferentes”, segundo os produtores do Vila Sésamo, série da qual ela faz parte. Julia é autista, como pelo menos 700 mil americanos. E foi criada para estimular as crianças a estabeleceram a empatia e compreenderem as diferenças desde cedo. Vida longa a Julia! (Quer saber mais? Vai lá na BBC)

Sem mais publicações